Jogo com constrastes
Com medo do escuro, Giulia Borges transgride formas e abusa de volumes
Imagine uma criança em um quarto escuro, com medo, abrindo o guarda-roupa e vestindo várias peças de maneira intuitiva, sem saber exatamente se é uma saia, casaquinho ou blusa na pressa de sair de lá. Essa sensação de confusão instiga a imaginação. E foi exatamente a impressão que a estilista Giulia Borges quis transmitir com a coleção inverno 2010. E conseguiu!
Foi pensando o resultado dessa “viagem” que a estilista abusou das transgressões de estilo: a estrututura de corseteria foi transformada em minissaia sobreposta, t-shirts largadonas surgiram em formato de vestidinhos e agasalhos surgiram de ponta-cabeça como calças track – com punhos marcando tornozelos -, por exemplo. Camadas e mais camadas de tecidos com texturas diferentes e paetês estampadinhos ou retangulares usados como franjas ajudaram a reforçar o conceito de “baguncinha” com pegada divertida e ao mesmo tempo sexy-romântica para mocinhas urbanas, nada ingênuas.
Além de apostar no medo de escuro, Giulia trouxe para a passarela duas estampas criadas pelo artista canadense Kristian Adam, cujo traço marcante são formas humanas imperfeitas, como se fossem sonhos. A cartela de cores, seguiu o mandamento do contraste, mesclando preto e branco, bege e vermelho, seguida de perto por tecidos com pesos bem diferentes, como o leve cetim duchese e o algodão encorpado.














