Power to the Peaceful

01/12 por Redação

O Parque Burle Max, em São Paulo, recebe hoje o festival pacifista "Power to the Peaceful". A idéia é de Michael Franti, músico e ativista social norte-americano que realiza o festival desde 1999. A música vira mota para chamar a atenção para a violência e desigualdade social.

A edição brasileira acontece pelas mãos de Marcelo Loureiro, que abraçou a idéia e a trouxe para o Brasil. A primeira edição do festival terá apresentação de Luciano Huck e do rapper  Ice Blue (Racionais MC´s). O parque vai sediar um dia inteiro de atividades gratuitas ao ar livre, além de shows de gente como Marina de La Riva, Seu Jorge e Franti. Toda a renda obtida com a venda de ingressos da área dos shows será destinada a projetos sociais do Capão Redondo, por meio do Instituto Rukha, que atende crianças carentes da periferia. Um dia após o festival, o show será apresentado gratuitamente no Capão Redondo. 

RG Vogue bateu um papo com Marcelo Loureiro, acompanhe:


RG Vogue - Vomo vc conheceu o Michael?

Marcelo Loureiro - Conheci o som dele em 2000. Um amigo surfista me mostrou um disco do Spearhead, a banda dele, e aí eu comecei a fuçar e vi que o cara tinha vários outros discos, com uma qualidade e uma diversidade que me impressionaram. Ele toca R&B, Rap, Jazz, Rock, Folk, tudo misturado e com muita melodia, e todas as letras são engajadas.


RG - O que mais te interessou no trabalho dele e no festival?

ML - A ideologia e a vontade de, independente do mercado ou da opinião dos outros, seguir o caminho que ele acredita ser o certo. Com simplicidade, sem radicalismo, com muito amor. É contagiante.

RG - Você é co-organizador do festival ou a Sagatiba é uma marca patrocinadora (Marcelo é dono da marca)?

ML - Eu sou o organizador, vendi uma das cotas para a Sagatiba. Eu assinei com o Michael um contrato de parceria para realizar o festival no Brasil, anualmente nos próximos anos, e em outras cidades também.

RG - Você participou da curadoria das atrações?

ML - Sim, na verdade todas as atrações eu escolhi. Aliás, vários se ofereceram pra tocar, contagiados pela mensagem, como Marina de la Riva, Duofel, Carlinhos Zodi...

RG - Qual a importância de uma ação dessa no país?

ML - Eu acho que no nosso país a gente tem mania de terceirizar o problema. A gente nunca acha que nós, como indivíduos, somos capazes de fazer algo além de reclamar e dizer que isso é responsabilidade do governo, das empresas, da elite... enfim, eu gostaria que as pessoas pudessem entender que a vida delas só vai melhorar quando a nossa cidade for boa pra todos que vivem nela, não para apenas uma parte dela. O problema, a meu ver, não está na injustiça social, na desigualdade, está sim em se aceitar isso passivamente. Por isso fizemos um festival onde a mensagem principal é uma mudança de consciência para gerar uma mudança de atitude, um festival onde os integrantes de projetos sociais sérios têm chance de mostrar seu trabalho a um público que talvez nunca pensasse nisso. O que eu mais escuto é “puxa, eu gostaria de ajudar, mas não sei como....”. No festival eu vou mostrar para as pessoas como elas podem ajudar, se engajar... se voluntariar. O primeiro passo é conhecer os projetos, aproximar as pessoas... Diminuir distâncias, quebrar preconceitos.

RG - O festival tem desdobramentos? Ações pós?

ML - As ações do festival sim continuam, sob a forma dos benefícios que o recursos arrecadados pela bilheteria realizam no dia-a-dia dos projetos, no trabalho dos voluntários que se engajarem em projetos sociais e na conscientização das pessoas quanto à necessidade de ajudarem os outros. Esse é o legado do festival. Só que além disso, o Instituto Rukha, que é o coordenador de todas as ações sociais do evento, continua ajudando as pessoas a se aproximarem dos projetos que precisam de apoio, apoiando e desenvolvendo um trabalho junto às comunidades carentes.

RG Vogue também quer participar. Vamos cobrir o festival e as ações do Rukha, de agora em diante. Vai lá:

Festival “Power to the Peaceful”
Parque Burle Marx (Morumbi, SP)
Quando: 1º de dezembro de 2007 (sábado)
Horário: Entre 10h e 22h
Ingressos para o show de Michel Franti: R$ 80,00 (à venda no site ticketmaster)

Nota de rodapé: para conhecer o trabalho de Michael Franti, RG Vogue recomenda o álbum "Yell Fire", da ST2 Records, recém-chegado ao Brasil.


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