Caetano: novo álbum

14/04 por Redação

Ame ou não, um disco de Caetano Veloso  é sempre um fato a celebrar. O novo, Zii e Zie, acaba de chegar às redações. Hora de parar com tudo, respirar com mais calma e se aprontar para a audição. Vale perder minutos preciosos para o trabalho. Não é que vale a pena viver de escrever?
 
“Inda Posso Me Apaixonar”, canta o baiano, já na segunda (e melhor) faixa, “Sem Cais”, entre melancolia e esperança. O tom do disco é esse: é mais triste que feliz,  é sobre as mulheres e o sexo (“Tarado Ni Você” não pode ser mais explícita). É confessional, como é tudo em Caetano.  É também o resultado da nova banda de Caetano, a bandaCê, reunião de jovens roqueiros que contribuem há um tempinho para a nova e boa sonoridade do bárbaro, algo entre o samba e o rock, que ele chama de “Transambas com atitude Transrock”. Caetano é um novo criador de música, mesmo em faixas tão tropicalistas como “A Cor Amarela”, uma ode à dérriere que faria o sítio dos Novos baianos vir abaixo, parangolés em êxtase.
 
Ei, mas este aí é o Caetano, ser político por natureza, então tem também uma canção protesto, meio “Haiti”: a faixa 6, “A Base de Guantánamo”, é oportuna, mas um tantinho datada, no momento em que Obama decreta o lento fim da base militar americana em Cuba. Mas é a cara do cara. Meio soturna e estranha, pra protestar mesmo, não pra gostar. Não dá pra gostar de tudo nessa vida... Mas RG gostou de “Falso Leblon”, guitarrinhas  sambando e Caê falando que “odeia a vã cocaína mas amo a menina”... Bom também é o sambinha “Ingenuidade”, bem carioca – aliás, o álbum é a cara do Rio (ouça “Lapa”), ainda que fale de outras paragens, tipo a Lisboa de “Menina da Ria”. E apesar do título italiano, que significa “tios e tias”. Sem nenhuma razão clara, só estética. Sem, explicação, como algumas lacunas das letras do álbum, que ficam ali esperando a sua resposta.
 
Para responder, ouça. Numa loja perto de você, num download logo ali. Já já.


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