
Lorna em dose tripla
16/08 por Marcos Damigo
Lorna Washington nasceu no início dos anos 80. Mas estou falando da personagem, e não de seu criador. Sua maternidade foi a Galeria Alaska em Copacabana, na época um reduto gay carioca. E nasceu a contragosto: de tanto “causar” na pista da boate Sótão, ao som de “Você não soube me amar” do Blitz, foi convidada a se apresentar num show comandado por Cláudia Celeste na boate Katakombe, situada na mesma galeria.
E a partir daí não parou mais: de show em show, Lorna presenciou toda a evolução da noite gay carioca – e, por extensão, do mundo – nesses últimos trinta anos. Pode-se dizer que foi uma precursora do formato stand up comedy, tão em voga hoje em dia. E, da posse do microfone, sempre aproveitou para dar seu recado. Numa época em que o HIV aterrorizava os gays, teve coragem pra falar publicamente do assunto, conclamando seu público a fazer o teste e enfrentando o preconceito e a ignorância. Dessa militância, tornou-se um dos membros fundadores do grupo Pela Vidda, onde atua até hoje, tanto fazendo shows em seus eventos quanto no atendimento às pessoas que passam por lá diariamente à procura de orientação e auxílio.
Além da sua presença rotineira na noite carioca, sua história foi transformada em uma trilogia, encenada no Teatro de Bolsa em Copacabana, com Sobrevivendo às Supostas Perdas em 2006, Lorna no Tom em 2007 e As Lágrimas Cômicas de uma Trans, que ela faz todos os sábados às 21 horas no Teatro de Bolsa, na Praça da Bandeira. Em 1996, numa turnê pelos Estados Unidos, foi clicada para a revista underground Gazelland vestida como Carmem Miranda ao lado de Amanda Lepore.
No show que ela apresenta no Cabaré das Rosas é possível comprovar todo o seu talento. Nos domingos à noite, Lorna comanda um talk show em homenagem a Laura de Vison, onde canta, comenta fatos ocorridos durante a semana e brinca com o público, em meio a apresentações de drag queens e de um stripper masculino.
Depois de umas boas risadas e uma certa dose de lirismo, não há como não sair mais leve!
Depois de umas boas risadas e uma certa dose de lirismo, não há como não sair mais leve! Para mais teatro, clique aqui.
Serviço:
Cabaré das Rosas
Rua Conselheiro Saraiva, 12 – Centro – Rio de Janeiro
Terça a domingo das 19h à 1h
“Noites de Vison” – talk show com Lorna Washington
Também no Cabaré das Rosas
Todos os domingos às 22h
Informações e reservas : (21) 2233 2179
As Lágrimas Cômicas de uma Trans
Direção: Almir França
Duração: 90 minutos
Teatro de Bolsa
Travessa Dr. Araújo, 55 – Praça da Bandeira
Todos os sábados às 21h
Entrada: R$ 10 (estudantes, maiores de 65 anos e gays militantes pagam meia entrada)
Telefone: (21) 2293-6428