
O novo Galpão
21/09 por Marcos Damigo
Pode-se dizer que o Grupo Galpão, sediado em Belo Horizonte, é um dos mais importantes do Brasil. Formado há quase 30 anos por um coletivo de atores, o grupo normalmente convida diretores para seus espetáculos. Foi assim com o memorável Romeu e Julieta, dirigido por Gabriel Villela, que estreou em 1992 e rodou o mundo. Apenas uma ou outra vez, algum ator do próprio grupo decide dirigir um espetáculo. E foi este o caso de Till, a saga de um herói torto, conduzido por Julio Maciel.
Após algum tempo assistindo aos trabalhos do Galpão em teatros fechados, é recompensador ver o grupo retornar com tanta propriedade às suas origens no teatro de rua. A rua traz desafios à criação que, se usados a favor, resultam em espetáculos com grande poder de comunicação. E esse é justamente o caso: o texto de Luís Alberto de Abreu, ainda que narrativo demais, oferece uma ótima plataforma para os atores brincarem com personagens grotescos e situações cômicas bem ao estilo da comédia popular.
A peça conta a história de Till, um anti-herói que vem ao mundo por causa de uma aposta entre Deus e o Demônio, numa Alemanha medieval repleta de velhacos e aproveitadores. Para dar conta desses personagens, o elenco fez inclusive um trabalho de preparação baseado no arquétipo do bufão.
Fim de semana passado eles se apresentaram no Parque dos Patins, à beira da Lagoa Rodrigo de Freitas. Numa noite de céu claro, com a imagem do Redentor por cima do palco e plateia lotada, quem esteve lá presenciou um momento especial. Mas as apresentações que eles realizam ainda essa semana nos Arcos da Lapa e na Quinta da Boa Vista não ficam nada a dever em termos do entorno. E, em breve, mas ainda sem datas e locais confirmados, devem se apresentar em São Paulo. Fique de olho!
Mais teatro, aqui.
Till, a saga de um herói torto
Arcos da Lapa – 24 e 25 de setembro (quarta e quinta-feira) às 19:30h
Quinta da Boa Vista – 27 de setembro (domingo) às 16h
Gratuito
Classificação Livre