Diário Hermès

09/10 por Adriana Bechara

Em nosso terceiro dia de imersão no universo Hermès fomos a Pantin, região periférica de Paris, onde são feitas as bolsas-ícones da grife, como Birkin e Kelly, dedicadas a Jane Birkin e Grace Kelly, respectivamente.

Lá descobrimos que as bolsas de croco são feitas do avesso e depois viradas ao contrário, já que o material é raro e frágil, podendo até quebrar. Para que isso não aconteça, eis o savoir faire de quem faz bolsas para durar uma eternidade e não apenas uma estação ou tendência.

Criados no Mississipi, África do Sul e Austrália, segundo as normas internacionais, os crocodilos utilizados nas peças Hermès são os mais raros, ou seja, velhos e grandes e apropriadamente adaptados para que não esfreguem demais a barriga no chão, já que só a pele do ventre do animal é utilizada. Quanto maiores os desenhos, mais sofisticada é a pele utilizada.

Costuradas com uma única linha em um sistema cruzado, as bolsas chegam a ter duas ou três vezes mais durabilidade que as demais. As alças são feitas de camadas sobrepostas de couro e jamais você verá uma alça Hermès com material plástico ou de madeira por dentro. As bordas são enceradas com um material impermeabilizante que protege tanto a linha quanto o couro da umidade.

Os fechos são encaixados por minipregos de metal e arrematados por um sistema de pressão equivalente por ambos os lados. Para que quando a cliente passe os dedos sobre eles jamais sinta nenhum tipo de aspereza ou desconforto.

No caso das peles de crocodilo, ao contrário do que se imagina, elas jamais receberão um banho de verniz. Ao serem polidas com pedra de ágata, naturalmente brilham. Antes de chegarem às lojas, as bolsas são passadas a ferro de vapor em cada bolinha ou quadrado da pele do animal.

Para executar este trabalho minucioso, os funcionários aprendem tudo dentro da própria fábrica e cada um deles só saberá produzir todos os produtos de couro Hermès com, no mínimo, dez anos de casa. Uma bolsa Birkin de croco com fecho de brilhantes custa na loja hoje cerca de 16 mil euros e uma jaqueta masculina de pele de croco, cerca de 60 mil. Verdadeiras jóias, as peças da grife possuem inúmeras histórias de família, já que são passadas de geração por geração sem jamais perder o encanto. Agora diga a verdade: em tempos de crise, o melhor investimento não seria na bolsa? Na bolsa Hermès, digo.


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