Apocalipse now
Quando o assunto é um desfile lúdico, fantasioso, surpreendente, poético, poucos fazem isso tão bem quanto Marcelo Sommer. Foram muitos inesquecíveis quando ele ainda detinha a marca Sommer – teve o da Rua Augusta, teve o desfilado no bosque aqui do Parque do Ibirapuera, e teve o de despedida, no qual a “chuva” do cenógrafo Alberto Renault se misturou às lágrimas dos fashionistas (se você não vive neste planeta (fashion), foi quando ele perdeu a marca e o direito de usar o nome para um poderoso conglomerado).
Com um currículo desses, a gente sempre espera algo “uau” da Do Estilista. A ideia da estação foi versar sobre o desapego, o desperdício, o sujo. “Queria roupas com cara de história”, contou Marcelo no backstage. Para personificar o tema, ele não titubeou: convidou seus melhores amigos para desfilar. O casting incluiu Alexandre Herchcovitch, Dudu Bertholini, Lara Gerin e a amiga Luciana Curtis, presença de rigueur em sua passarela. O clima apocalíptico, com direito a catwalk de carvão, foi marcado por peças destroyed (mesmo: o próprio estilista detonou as roupas, rasgando-as e sujando-as) de silhuetas e materiais diversos. Boa alfaiataria xadrez, uma de suas marcas registradas, tricôs esfarrapados e muitos vestidinhos com tops ajustados e saiotas volumosas, perfeitos para fadinhas dark. Muitas peças, aliás, foram recicladas de outras coleções. “Retinturei várias sobras de estações passadas” , explicou Marcelo. A gente torce para que nesta não sobre nada…














