Suave é a moda
Na saída do desfile da Huis Clos, cruzei com a dona de uma multimarcas em Santa Catarina, que, sorrindo, me confidenciou: “Comecei a vender Huis Clos nesta estação e hoje saio daqui com a certeza de que não poderia ter tomado decisão melhor. Vou vender muito”. Bem, posso dar minha parcela de contribuição, porque confesso que são flutuando da sala 1, onde aconteceu o desfile.
Flutuando de satisfação por ter visto casamento tão perfeito entre corte, costura, porte, postura, desejo, necessidade e vontade. Sara Kawasaki detectou bem os desejos de moda do momento (haute alfaiataria, minimalismo, suave perfume esportivo, rigor 40’s) e soube traduzi-los com perfeição ao universo da cliente sofisticada e inteligente, num desfile leve, limpo, suave e constante. Inspirada pelo universo feminino de memórias de outros tempos, “como uma camisola da avó guardada no fundo da gaveta”, exemplificava o release, a grife veio de fato menos cool e cerebral e mais feminina e delicada.
A cartela de cremes e cinzas (concessão pontual ao preto) deu vida a opostos. De um lado, alfaiataria inteligente, representada por mantôs-vestidos com mangas presunto feitas por moulage e golas desconstruídas. Tudo rigoroso na construção, mas leve como resultado final. Destaque para o laise de lã do primeiro bloco e os camel coats de cashmere. Ponto também para os detalhes de pelo de cordeito – incrível o look de saia-coluna e top de pelo, num tom de creme bem branquelo. No outro extremo, vestidos quarentinhas de cetim de seda lânguidos e ultrademocráticos (as mangas longas e comprimentos logo abaixo do joelho tornam o modelo uma das opções mais sofisticadas desta temporada).
Vogue também amou na ankle boots nudes, a malha metalizada que deu o ar da graça em um único look e as franjas de seda que arremataram decotes e mangas de tops fluidos e de cavas profundas.
Se as chiques esperavam um bom motivo para abrir suas Birkins, a Huis Clos deu vários…














